#NYFW AW12 // MARC JACOBS
Essa vai em português mesmo para todo mundo ficar bem ligado. Ligado que desfile não é só uma parada comercial ambulante para nos lembrar de tudo aquilo que já sabemos que encontraremos nas lojas, mas também um espetáculo para nos fazer sonhar e despertar desejos antes mesmo que saibamos de sua existência.
Enfim, Marc Jacobs, sabe das coisas. Goste ou não (do desfile, da coleção e até do ser humano em questão) é incontestável que suas coleções funcionam sempre como termômetros, quando não verdadeiros espelhos, do que anda acontecendo no mundo e, por consequência na moda. Seu inverno 2012 _uma de suas melhores coleções dos últimos tempos_ é o mais recente exemplo disso.
Começando pela espertíssima sacada da trilha sonora. “Who Will Buy?” (do musical Oliver Twist, o menino bandidinho esperto do clássico de Charles Dickens) é a pergunta de 1 milhão de dólares, tirando o sono de muito CEOs e executivos não só da moda _que ainda não sentiu (se é que vai sentir de fato) o baque da derrocada econômica que vem se ensaiando no mundo, principalmente na Europa.
E aí vem cenário grandioso em parceria com a artista-plástica Rachel Feinstein. Um castelo tipo da Maria Antonieta, só que em ruínas, ou um de conto de fadas já meio de cadente, onde as fadas estão mais para bruxas e os sonhos para pesadelos. Assim mesmo, cheio de subversões.
Descendo por uma passarela sinuosa, com uma fonte esquisitona à la Tim Burton, vêm as peregrinas vitorianas, empilhadas por camadas e mais camadas de histórias, referências e atualidades capazes de causar convulsões fotográficas em fanáticos por excentricidade de street style (Anna Piaggi manda beijos). Os sapatos puritanos, os maxi-chapéus de pele, as maxi estolas de tricôs com seus grampos gigantes, os volumes exagerados no quadril, a proporção over, porém encurtada, deixando sempre os tornozelos de fora. Passado, presente e futuro em constante tensão e colisão.
Mas a imagem de Marc não vem (como de costume) sem muito ironia. Aqui, sob uma falsa melancolia, uma falsa culpa e, talvez, até uma falsa compaixão pela lambança que patina a economia mundial e, junto, um monte de gente que não tem nada a ver com isso.
Debaixo de tantas camadas escondem-se casacos oversized de construção complexa e corte apuradíssimo. Marcam a cintura, acentuam o quadril e projetam os ombros, de uma forma retro ao mesmo tempo que atual. Saias em forma de sino, ainda que proporções nada democráticas, falam daquela vontade couture, assim como alguns casaquetos de um clacissismo supersofisticado, mas total e propositalmente descontextualizado. E isso sem falar na riquíssima ornamentação de bordados, aplicações e nos tecidos exclusivos, desenvolvidas especialmente para essa coleção.
E who will buy?
Quem sempre comprou. A cliente, com sorristo estampado depois de uma noite de fantasias, vai se sentir uma atração mística para as lojas em busca do dream come true da passarela para as araras.
[...] Theyskens’ Theory AW12 Os tempos não estão fáceis e risco precisam ser meticulosamente calculados. A história é velha e manjada, ainda que um tanto verdadeira. Mas a desculpa de crise econômica que vem exterminando a criatividade na moda desde os atentados de 11 de setembro, já começa a dar sinais da estafa. E Marc Jacobs que o diga. [...]