Com o fim da semana de moda de Paris, encerrando quase 1 mês de desfiles ininterruptos, a imagem que fica na cabeça é uma de forte dinamismo. Com os anos 1980 ensaiando um certo retorno, é menos seu lado pop (até kitsch às vezes) e mais aquela postura straight to business, pautada por aquela extrema urgência adaptada às demandas e realidade dessa segunda década de século 21, que se faz tão atual a relevante nessa temporada.
Os porquês disso tudo podem ser muitos, mas há algo sobre a volatilidade e fragilidade do atual estado da moda que pode ajudar a entender tal postura urgente. Ainda mais numa temporada onde a constante dança das cadeiras, foi elevada a enésima potência, escancarando algumas facetas dessa indústria, até então mantidas veladas ou sem muita importância. Some-se a isso o cenário econômico algo incerto e as constantes políticas de planejamento a prazos cada vez mais curtos e todo passa a fazer mais sentido.
Mais de 20 anos depois da revolução do Power Suit na década de 80, uma nova demanda por uma roupa de trabalho melhor adaptada à realidade feminina desse começo de século 21 toma conta da reta final da temporada de desfiles para o inverno 2012. Dos experimentos híbridos de Junya Watanabe, à alta carga emocional de Haider Ackermann, passando pela simples mas contundente experimentação critica de Rei Kawakubo na Comme des Garçons, pelo alto luxo da Hermès, até a praticidade objetiva da Céline, é essa a moral da história desse último fim de semana aqui em Paris.
No 4º dia de desfiles aqui em Paris ficou evidente o quão importante é a figura de um diretor de criação e o quanto essa importância é ignorada à medida em que CEOs das mais diversas áreas passam a coordenar as operações do mercado de luxo. Moda é (também) mercadoria, mas isso não significa que pode se comercializada com se fosse iogurte ou sabão em pó. Por se relacionar tão intimamente com as algumas formas de expressão individual e social, é uma mercadoria cheias de peculiaridades e que exige cuidado extra no modo como é manipulada.
O contraste entre as apresentações de Hussein Chalayan e Lavin, e da Dior e Marigela _todas coleções impecáveis_ mostraram com a + b, como uma figura central na criação é extremamente necessária quando se deseja algo mais do que apenas roupas bonitas.
Acho que já podemos afirmar com considerável certeza, já que estamos na etapa final da temporada de desfiles, que esse será um inverno focado em formas e silhuetas. Para ser mais específico, em formas e silhuetas oversized, afastadas do corpo e de preferência bem estruturadas.
Desde a #NYFW acompanhamos uma invasão militar de casacos poderosos e vestidos-armadura, sustentados firmemente por espessos tecidos que mantém o corpo seguro como numa fortaleza. Mas depois de quase 1 mês sobre tal ditadura de cortes e modelagens rigorosas, a sensação de sufoco faz com que qualquer sinal de fluidez ganhe contornos extremamente desejáveis.
Em outras palavras, como mentes criativas, tornaram-se aos olhos da indústria (e aos nossos próprios) mera figuras mercadológicas, tratadas como descartáveis e submetidas à escrutínios virtuais.
É engraçado perceber como toda vez que algum fato inesperado vem a tona durante a temporada de moda (a saída de Raf Simons da Jil Sander e o retorno de sua fundadora, mais a saída de Stefano Pilati da YSL), toda a sua cobertura _e, por consequência, seu conteúdo_ ganham ares mais urgentes e toda uma outra abordagem. Talvez, porque são nesses momentos que nos damos conta do quão delicada e volátil o circo extravagante da moda se tornou.
Quando a criatividade foi trocada pelo lucro, trocou-se também o planejamento a longo prazo, por um de prazo tão curto quanto um meme de internet.
Marcando o início da semana de moda de Milão, Frida Giannini, na Gucci, foi bastante direta na sua mensagem nesta estação: a indústria e economia italiana está em cambaleando na beira do abismo, mas o aparente luto ou melancolica do mercado de luxo, ainda imune aos efeitos da crise, esconde algumas algumas cartas na manga.
Os fotógrafos assediando celebridades chinesas na primeira fila, pode ser uma dessas cartas, mas não é a única. Há tempos que a estilista a frente da marca quase centenária vem se debruçando sobre aspectos que, reza a lenda, faz toda diferença na decisão do consumidor em abrir ou não a carteira: materiais exclusivos, a mais alta qualidade e acabamentos únicos e manuais _resultando numa explosão de luxo e glamour. Nesta temporada, porém, tudo isso foi elevado à enésima potência, ao ponto de dispensar até os acessórios-fetiche _ combustível das grandes grifes do setor.
DAVID LINDWALL was born in the blond and blue-eyed country-(side) in 1982 to a mother forced to continuously alter her outlandishly tall but very skinny boy’s clothes. Sick of all that sowing Mother Lindwall informed boy Lindwall that he needed to learn to sow and there in adolescence his fashion education ended. At just 15 Lindwall left home to study chemistry, maths and physics in the city. (more…)
Acho que não podemos falar exatamente de um retorno dos anos 1980, mas há uma série de elementos marcantes desta década definindo alguns caminhos para o inverno 2012. E o cenário até que é bastante propício para isso… E basta abrir os jornais para entender o porquê. Trata-se aqui de uma abordagem não tão óbvia de tal período, menos pop e mais business, menos Keith Haring e mais Margaret Thatcher, sabe como?
Bastou uma breve ausência temporária pelo começo da temporada para que Karlie Kloss dominasse as timelines ao abrir o desfile Antonhy Vaccarello, aqui em Paris. Mas dessa vez, o fenômeno Kloss pode ter mais a ver com aquele encerramento deslumbrante que a modelo fez na última coleção do estilista _num vestido todo recortado que mostrava mais pele do que tecido (sem que isso fosse vulgar)_ do que com o carisma que neo-top tem de fato carrega.
É interessante notar como alguns estilistas, imersos na era digital, mantém uma velocidade evolutiva tão rápida quanto aquela que mantém aceso o fluxo de novas informações em tempo real através da internet. É assim que, mostrando um salto gigantesco em termos técnico, Vaccarello passou dos recortes sinuosos e esportivos do verão passado, para um estudo minucioso sobre a alfaiataria. Tudo isso, porém, sem perder sua forte identidade sensual. É assim que dos looks de aberturas _ternos de cetim azul-marinho com contorno militares_ vão se quebrando, ou melhor recortando e retorcendo para revelar e moldar o corpo feminino.
Então é isso: menos é mais. Assim disse dona Miuccia Prada e assim será. Uma das mais influentes produtoras de imagens de moda de atualidade chegou a conclusão que, ante a esculhambação econômica na Europa, menos humor, menos pegadinhas e menos mensagens escondidas nas entrelihas, é mais venda ou pelo menos mais segurança na frente do caixa.
É assim que vem o inverno 2012 da Prada, meio que num “all times classics”, sem aquela profundeza de significados e multiplicidade de interpretações possíveis. Na verdade, é justamente a objetividade como a coleção é apresentada que traduz toda sua força.
Mathias Lauridsen photographed by Ethan James Green for VMan with styling by Zara Zachrisson. Ethan James was the cover of U + MAG in May 2010 photographed by Shannon Sinclair and now part for his career in photography. And don’t forget to take a look on his tumblr.