SPICY APOCALIPSE BY JACKSON ARAUJO

by JACKSON ARAUJO

 

To those who still believe the world will end in 2012, let us remind them that the old idea of the world as it was conceived during the Industrial Revolution was literally put down with the Twin Towers in 9/11.

 

In that event, both shocking and sensational, the obvious has been stated: power, much alike money, has changed hands and mouth-to-mouth communication has become a means to revolution.

 

“The world will become a huge city”.

 

According to statistics by the UN, i tis believed that until 2050 nearly 80% of Earth’s population will be living in urban centres.

 

“The world is becoming hotter”.

 

“The Climate Reality Project” released in September, 2011, a world campaign to show the reality of climate changes and try to rally up citizens to help solve the issue.

 

It is a fact. The climate crisis knows no political boundaries.

 

So the marginalized arts hit the urban centres. Music is a milestone in this new scenario, with new sounds, ryhtms, cross-cultures that are the result of accumulated information and movement.

 

This new apocalypse is gathering pace on board of airplanes and freely on the web. Hot, as the new world temperatures would have it. Urban, like the marginalized invasion.

Para os que teimam em insistir que tudo vai acabar em 2012, vale lembrar que a velha ideia de mundo concebida com a Revolução Industrial foi literalmente por terra desde a queda das Torres Gêmeas, em setembro de 2001.A esperada minimalista odisseia no espaço não veio do caso amoroso de uma nave inteligente e seu computador autoritário e egocêntrico, mas foi concebida com todos os pecados numa retrógrada cerimônia tribal-religiosa, disparando homens como mísseis em aviões tradicionais, derrubando bastiões capitalistas feitos castelos de areia e fumaça.Naquela imagem sensacional e chocante se desenhava aquilo que em outras matas já era de conhecimento público do homem comum, cidadão da floresta: o poder, assim como o dinheiro, mudou de mão e a comunicação boca-a-boca, livremente, ganhava status de revolução.Dava-se o parto do novo Ser Tropical, o Macunaíma das mídias alternativas, o Canalha Global, antropofágico em suas vontades de compartilhar livremente a criatividade como verdadeira arma de transformação possível para um mundo sequelado por sua própria Natureza.

Com sua metralhadora de LED, a nova forma de vida Tropicanalha surge atenta a dois poderosos drivers, lampejos de criatividade na compreensão de uma transformação cultural miscigenada, irreversível e democrática.

O primeiro: “O mundo será uma grande cidade”.

Segundo dados da ONU, estima-se que até o ano de 2050, quase 80% da população da Terra residirá em centros urbanos. Aplicando as estimativas mais conservadoras às atuais tendências demográficas, a população humana vai aumentar em cerca de 3 bilhões de pessoas, o que, em última análise nos faz crer que o mundo será mesmo uma grande cidade, incorporando o campo e as periferias, assim como seu modo de vida, linguagens estéticas e expressões comportamentais.

O segundo: “O mundo está ficando cada vez mais quente”.

A organização “The Climate Reality Project” (que sucedeu a “Alliance for Climate Protection”), lançou em setembro de 2011, a megacampanha mundial “24 Hours of Reality”, para transmitir a realidade da crise climática e mobilizar cidadãos para ajudar a solucioná-la.

– Sem utopias a longo prazo, por favor.

É fato. A crise climática não conhece limites políticos. Tempestades violentas e ondas de calor mortais ocorrem com uma frequência assustadora em todo o mundo, o que leva a crer que o planeta está mesmo ficando mais quente, sugerindo paisagens cada vez mais tropicais para ecossistemas diversos.

Nesse apimentado balaio, nada mais apropriado do que saborear a chegada definitiva da cultura artística das periferias aos grandes centros urbanos. Se até os museus se abrem para colecionar artes de muro e questionam o seu papel enquanto acumuladores de objetos num mundo dominado por arquivos – jpeg, png, pdf, tiff, mpeg… –, por que não?!

A música, a mais plena das artes por seu caráter impalpável, serve como divisor de águas nessa nova cartografia cataclísmica que se estabelece, reproduzindo de forma espontânea novos sons, ritmos, cruzamentos de culturas, resultado do acúmulo cotidiano de informação e mobilidade.

É assim com o Technobrega do Pará, que derruba outros muros estéticos e econômicos e prega a cultura livre da troca e da pirataria como linha mestra de pensamento e produção.

Para Hermano Vianna, o Technobrega é “Kraftwerk de palafita”, relacionando a tecnologia industrial alemã com a arquitetura amazônica de sobrevivência; um quebra-cabeças ao gosto do puxadinho, de tempero bem brasileiro.

Nesse igarapé de emoções, Gaby Amarantos é catapultada à categoria de diva, personificando o sonho de tantos youtubers ao se transformar numa estrela pop da periferia, no som da batida crescente da Classe C, pronta pra samplear.

O novo apocalipse está de vento em popa, à bordo dos voos, circulando livremente na Internet. Quente, como quer as novas temperaturas. Urbano, como sinaliza a invasão da periferias.

– Bota pimenta murupi. Um bocadinho mais.


 
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